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Maria, Minha Mãe Eterna: O Amor Que a Saudade Bordou em Mim

Fragmentos de Vida, Memórias Vivas e a Certeza de um Amor Que Transcende a Ausência


Um Chamado à Memória e ao Coração

Mamãe querida, amada Maria Alves Simões… Neste Dia das Mães, as palavras parecem pequenas para conter a imensidão do que sinto. Não é apenas uma data no calendário; é um portal que se abre diretamente para o coração, onde a sua ausência física se faz sentir com uma força avassaladora. E junto com ela, vem a saudade. Ah, mamãe, quanta saudade! Uma saudade que não é só tristeza, mas uma tapeçaria complexa, tecida com os fios dourados do amor que nos uniu, as cores vivas das lembranças que compartilhamos e a melancolia suave da sua falta.

Chamar por você, “Mamãe querida, amada”, não é apenas um eco da afeição que sempre tive, mas quase uma prece, uma tentativa de estender a mão através do tempo e do silêncio, buscando o calor do seu sorriso, a segurança do seu abraço. É invocar a força desse amor que persiste, inabalável, mesmo diante do vazio. Este dia me convida, mais uma vez, a percorrer os caminhos da memória, a revisitar os momentos que definiram quem sou e a celebrar a mulher extraordinária que você foi e continua sendo dentro de mim. A saudade dói, sim, mas é também através dela que sinto a sua presença mais viva, que percebo como cada fragmento do nosso passado ilumina o meu presente.


Quadros Vivos: Momentos Inesquecíveis Lado a Lado

A Feira da Torre: Trabalho e Infância Sob o Céu de Brasília

Entre as lembranças mais nítidas, está o cenário vibrante da Feira da Torre de TV, sob aquele céu amplo e único de Brasília. Lembro-me de você lá, mamãe, entre as barracas coloridas, com sua força silenciosa, vendendo aquelas louças que pareciam carregar um pouco da sua própria resiliência. E eu, ao seu lado, estava imerso em outro universo. Enquanto você negociava, arrumava suas peças com cuidado, meus olhos de criança se perdiam nos carros que passavam, fascinado por aquele movimento constante, alheio às preocupações do seu mundo adulto.

Estávamos ali, lado a lado, em universos paralelos mas profundamente conectados. Sua presença era meu porto seguro. Mesmo absorto nos meus próprios devaneios infantis, sentia a sua proximidade, a sua proteção. Olhando para trás, percebo a beleza dessa dualidade: o seu trabalho, a sua responsabilidade de mãe garantindo nosso sustento, e a minha infância, preservada e segura sob o seu olhar atento, mesmo que distante por alguns momentos. A especificidade dessa memória – as louças, a Feira da Torre – não a torna apenas um evento isolado, mas um retrato de uma rotina, de um tempo em que nossa vida pulsava naquele ritmo particular, marcando para sempre a minha percepção do seu esforço e do seu amor. Foram, sem dúvida, momentos inesquecíveis lado a lado.

O Táxi Inesperado: Um Sopro de Leveza

Recordo também, com um carinho especial, aquele dia singular em que, por alguma sorte ou conquista minha, eu ganhei um dinheiro. Não me lembro exatamente como ou quanto foi, mas a consequência daquele pequeno ganho ficou gravada: voltamos para casa de táxi. Talvez tenha sido sua ideia, mamãe, ou uma decisão mútua, mas o que ficou foi a sensação daquele momento.

Numa vida onde cada passo talvez fosse contado, aquele trajeto de táxi representou mais do que simples comodidade. Foi um instante de leveza, uma pequena extravagância compartilhada, um respiro na rotina. Lembro-me do sentimento – talvez um misto de orgulho pelo dinheiro que consegui, de alegria por aquele luxo inesperado, e de conforto por estar ali, com você, desfrutando daquele momento diferente. O fato de essa lembrança persistir com tanta clareza revela o quanto ela se destacou do cotidiano, um pequeno oásis de facilidade e celebração que só teve significado porque foi vivido ao seu lado. Foi um testemunho silencioso de como você transformava pequenas vitórias em momentos de alegria compartilhada.

As Três Bolas: Semeando a Alegria Fraterna

E como esquecer a compra das três bolas? Um gesto tão simples, mas carregado de significado. Lembro-me de você comprando não uma, mas três bolas, com um propósito claro: “para brincar com meus irmãos”. Naquele ato, mamãe, estava contida toda a sua sabedoria e generosidade. Você não estava apenas nos dando um brinquedo; estava semeando a união, incentivando a partilha, nutrindo os laços entre nós, seus filhos.

A escolha de três bolas, uma para cada um ou para que pudéssemos jogar juntos sem disputas, revela sua atenção aos detalhes, seu desejo intrínseco de harmonia e justiça dentro da nossa pequena comunidade familiar. Não era apenas um presente material, mas um investimento na nossa felicidade coletiva, um ensinamento prático sobre convivência e alegria compartilhada. Essa memória, tão singela, fala volumes sobre seu espírito maternal, sempre focado em nosso bem-estar não apenas individual, mas como irmãos, como família.


A Sombra da Partida, A Luz da Permanência

Então, veio a sua partida. Rápida demais, inesperada, deixando um rastro de incredulidade e uma dor aguda que o tempo suaviza, mas não apaga. A velocidade com que tudo aconteceu talvez tenha intensificado o choque, deixando perguntas sem respostas e abraços não dados. Foi um golpe duro, mamãe, que redefiniu nosso mundo.

Mas, na imensidão dessa perda, algo mais forte se revelou: as excelentes lembranças que permanecem. Elas são a prova da sua passagem luminosa por nossas vidas. A dor da sua ausência coexiste com a gratidão imensa por tudo o que você foi e nos deu. Confrontar a rapidez da sua ida e, quase no mesmo fôlego, afirmar a força das memórias que ficaram, é um exercício de resiliência que aprendi observando sua própria força. Suas lembranças não são fantasmas do passado; são faróis. Elas não apenas permanecem; elas vivem, pulsam, orientam e consolam. Sua essência, seu amor, sua força – tudo isso ficou impregnado em nós, transformando a dor da perda em um legado de amor que continua a nos moldar. Sua presença física se foi, mas sua influência e o amor que compartilhamos se tornaram parte indissolúvel de quem somos, uma conexão que a morte não pôde romper.


O Legado Floresce: O Neto Que Guarda Seu Nome no Coração

A vida, com seus ciclos implacáveis e maravilhosos, continuou. E nesse continuar, chegou mais um presente: seu último neto. Uma alegria imensa, um novo capítulo na nossa história familiar. Mas essa alegria veio tingida com a melancolia de saber que ele nasceu sem poder conhecê-la, sem sentir o seu colo, sem ouvir suas histórias.

A existência dele é um elo poderoso entre o passado que você representa, o presente que vivemos com sua falta, e o futuro que ele simboliza. É a prova de que a família floresce, que o amor se multiplica. Mas a impossibilidade do encontro físico dele com você é uma das facetas mais palpáveis da sua ausência, um lembrete constante do que perdemos. Contudo, mamãe, quero que saiba que ele saberá de você. Falar de você para ele, manter sua memória viva em seu coraçãozinho, tornou-se uma missão silenciosa. É uma forma de garantir que seu legado de amor e força se estenda a essa nova geração, conectando-o à avó extraordinária que ele tem no céu. É a nossa maneira de preservar sua importância, de fazer com que seu amor continue a ecoar, mesmo para aqueles que chegaram depois da sua partida.


O Amor Que Fica

Mamãe Maria, neste Dia das Mães, as lágrimas se misturam aos sorrisos ao recordar cada um desses momentos. A saudade aperta, mas não sufoca, porque é superada pela certeza avassaladora do amor que nos une. Depois de percorrer essas memórias, de sentir a dor da sua ausência e a força do seu legado, a verdade mais pura e simples emerge, cristalina: o quanto eu a amo.

Esse amor é a âncora, o sentimento fundamental que permeia cada lembrança, cada lágrima, cada sorriso. É a herança mais valiosa que você me deixou. Escrever estas palavras, reviver nossa história, é mais do que um tributo; é um ritual sagrado de amor e memória, uma forma de reafirmar sua presença eterna em minha vida. Você não está aqui fisicamente, mas vive em cada gesto meu que reflete seus ensinamentos, em cada valor que me passou, em cada batida do meu coração que ainda chama por você.

Feliz Dia das Mães, minha eterna e amada mãe. A saudade existe, mas o amor… o amor fica. Para sempre.

Cleiton Alves da Silva

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